Que Cor Esconde a Dor?


Obra "Que Cor Esconde a Dor?" 
na exposição colectiva "Assobiador"
patente na Galeria Metamorfose no Porto
de 21 de Setembro a 26 de Outubro 2013




40 artistas que foram convidados pela Metamorfose a intervir sobre uma placa de cortiça. A escolha do suporte, baseou-se nos conceitos de sustentabilidade ecológica, económica e social, bem como no "Assobiador", que é o sobreiro maior e mais produtivo de Portugal. Plantado em 1783 no Alentejo, tem mais de 14 m de altura e produz 10x mais cortiça que um sobreiro vulgar. O Assobiador foi baptizado com este nome devido aos numerosos pássaros canoros que o habitam. 
Os artistas convidados tiveram liberdade para se exprimir e intervir numa placa de cortiça de 30 cm de diâmetro e 3 cm de espessura. 



(c) Daniel Curval



ficha técnica:

Título: Que Cor que Esconde a Dor?
Data: 2008-2013
Técnica mista/Materiais:
- Placa cortiça de 30 cm diâmetro
- Tela branca de 28 cm diâmetro
- Tinta acrílica vermelha
- Linha preta
- 35 alfinetes metálicos
- Sangue RhA+ do artista





A memória marca, deixa um rasto de cicatrizes. Às vezes, tenta esconder o passado, camuflá-lo, mas o corte fica para sempre. A ferida sara, reconstitui-se, camada sob camada nasce uma nova pele. Enquanto o corpo estiver vivo, a natureza encarrega-se de restaurar o corte. Somos feitos de memórias, dos cortes que fizemos, do passado que deixámos. O sobreiro também sofre estes cortes. Só a partir do terceiro corte, da terceira extracção, é que a cortiça atinge o seu valor mais elevado, a sua melhor qualidade. Os cortes são a sua memória. Pela quantidade de cortes conseguimos saber a idade do sobreiro. E será que sofre durante os cortes? A extracção efectua-se entre Junho e Agosto, meses favoritos para a música das aves canoras. A natureza cumpre a sua função, o equilíbrio estabelece-se desta forma. O homem corta e as aves cantam. Disse o poeta que a faca não corta o fogo, mas o fogo cicatriza os cortes. O calor do canto das aves cicatriza o sobreiro e embala a sua dor.

Marco Santos, 2013
http://novaziodaonda.wordpress.com/


Video da Exposição inaugural "Assobiador" na Galeria Metamorfose, Porto:

http://vimeo.com/76889686




Stilb Life no Nova Photographia



O meu trabalho fotográfico referenciado no website Nova Photographia

e página do facebook Nova Photographia



Stilb Life V



stilb [stilb] s.m. FÍSICA unidade de medida de brilho, de símbolo sb, equivalente a uma candela por centímetro quadrado (do gr. Stílbein, «brilhar») in Dicionário da Língua Portuguesa 2004. Porto Editora 


A estranheza e a ambiguidade do título deste trabalho fotográfico é de imediato ultrapassada após a leitura desta série de fotografias. Realizadas sobre uma reflexão do mundo contemporâneo, registam um tempo cristalizado, as imagens de um real daquilo que ainda é, que ainda (still) existe mas que está quase a falecer num limbo existencial, imagens moribundas ou até mesmo mortas. Estas fotografias são no aspecto da captura intuitiva do momento, a antítese do "instante decisivo" de Henri Cartier-Bresson, estando por afinidades, mais próximas dos enquadramentos estertores de Eugène Atget. Serenas no seu estado cristalizado a encenação está ausente e não são "still life – natureza morta" mas imagens que ainda têm ou tiveram uma relação umbilical com a vida, que exalam uma última centelha de luz para a câmara fotográfica e durante essa metamorfose a imagem morre materializando-se numa fotografia. Nesta série são apresentadas stilbs lifes de objectos "uma coisa imortal realizada por mãos mortais" (Hannah Arendt).


Primeira série de Stilb Life no flickr. Em outubro de 2013 Daniel Curval vai ter a segunda série do projecto Stlib Life no Mês da Fotografia na casa da Cultura de Beja.

Esta é a minha Fotografia ao mundo

                                     



Photography (c) Daniel Curval

acaso


quando o acaso se lembra de nós qual deus do Olimpo


photography (c) Daniel Curval
da série Imagens Pobres / Lo-Photo




Fortaleza defunta





photography (c) Daniel Curval
da série imagens pobres / Lo-photo




Vestígios de um castelo derrubado, ondas em fúria, céu complacente: como se parece este cenário com aquele que trago no peito. Sobre uma das pedras do castelo prostrado deposito um beijo inglório, oferecendo a minha face ao chicote das rajadas de sal. Ali permanece, essa fortaleza defunta, melancolicamente entregue à ira do mar. Deito-me na pedra beijada, de olhos para o céu, oferendo à minha alma outra perspetiva. Sei que este é um lugar seguro. As nuvens reservam a paz na sua brancura celestial.


Inês Lourenço






Rua desprezada






photography (c) Daniel Curval
da série Imagens Pobres / Lo-photo